No próximo Natal

Numa festa das bruxas

Num hot date

Numa concentração de motoqueiros em Faro

Na próxima festa de anos do meu sobrinho

Num momento nostálgico

Num picnic

Ou simplesmente quando me apetecer ouvir a Amy
Uma gata revolucionária















Ontem quando fui cortar o cabelo esqueci-me de dizer à tipa que não queria parecer a Madalena Iglésias, et voilá! Eis o resultado.
O mal das cabeleireiras sem volume no cabelo é que acham que volume é o máximo, e massacram as pobres coitadas que todos os dias lutam durante 20 minutos contra as ondas rebeldes com personalidade própria…
E como a última vez que ela tocou na minha trunfa foi em Janeiro, no fim ainda apanhei com a piada “Agora só nos vemos em Setembro!”.



Desde que mudei de trabalho, emprego ou “serviço”, como preferirem, que o azar me persegue. A mim ou ao meu carro, ainda não percebi. Diria que o meu antigo chefe, quando eu fechei a porta do seu gabinete depois de lhe dizer coisas bonitas como “para mim o prémio é secundário, tenho é de realizar os meus sonhos profissionais” me respondeu com um sorriso cínico como quem diz “deixa lá que eu vou ao Prof. Caramba fazer uma macumbazita que vai lixar lenta e dolorosamente o teu carro, minha cabra”.
E assim, uma série de acontecimentos se sucederam que culminaram ontem com ser socorrida por um senhor de meia-idade de chapéu do clube recreativo de Alvalade (o meu novo anjo da guarda) de rabo espetado a mudar-me um pneu. Estava a ver que depois daquela cena ainda iria passar a noite em Sta Maria com o senhor de cama com uma vértebra fora do sítio e duas hérnias a explodir.
Ora assim em 7 meses tivemos:
O abalroamento do meu director geral numa rotunda;
Um pião numa rotunda (atrás do meu novo chefe, very impressive!)
Um choque por trás de uma senhora a caminho do trabalho;
Um choque de frente (minha frente na traseira de outro) à entrada da segunda circular;
Um pneu furado à noite numa rua escura de Lisboa.
Nesta Santa Páscoa roguei aos santos pelo meu carro.



Há um tipo de pessoas que não consegue formular uma frase sem o “estás a perceber?” no fim. E se há tique irritante, acho que é esse. Ok, estou a exagerar. Se calhar existem tiques ainda mais irritantes, mas este chateia um bocado.
O problema não é propriamente a pessoa estar preocupada com a minha compreensão do tema em questão. O problema é utilizar sempre esta expressão para coisas triviais, tão claras como a água.
“Oh Rita, uma formiga é mais pequena do que um elefante, estás a perceber?”
“A sério Zé Miguel, não me diga?”
Já qualquer coisa como “Oh Rita, o problema de Fermat: xn + yn = zn não tem soluções para n>2 e inteiros não triviais x, y e z, estás a perceber?”, ou “Oh Rita, o Rodrigo Tiuí é muito melhor jogador do que o Bergessio, estás a perceber?”, aí sim, teria algumas dúvidas…
Vou ter um novo sobrinho. E ao contrário das expectativas, não se vai chamar Maria. De Maria passou a Coiso e de Coiso a Diogo, bem melhor.
Diogo.
Diogo.
Diogo era o “meu” nome. Era esse o nome idealizado para o meu primeiro filho. Diogo Primeiro. Mas o meu irmão num acto infame roubou-me esse prazer, a única certeza que tinha nesta vida: se eu tivesse um filho ele seria Diogo….
Mas bom, o que lá vai, lá vai. Já interiorizei esse nome. Agora olho para a barriga da minha cunhada e começo a materializar uma pessoa nova que não tarda está cá fora, neste Mundo para o bom e para o pior, mas que vai ter uma vida, uma identidade e uma história. E eu vou ter um papel nessa história desde o dia 1.
Começo a ficar impaciente. Quero conhecer o Diogo e quero conhecê-lo já! É assim. Quero contar os seus dedinhos, assegurar-me que estão em número de 5 em cada mão e cada pé. Quero ver se tem umas bochechas rechonchudas como a tia. Ouvir o seu choro, muitos berros (assemelham-se aos meus?) e muitos risos.
Mas o mais estranho é esta sensação. A certeza absoluta de que, sem sequer lhe conhecer o nariz, essa marca inconfundível do genoma da família, já transbordo de amor e carinho por esta criatura que não conheço de parte alguma.
Dizem que a forma como passas o dia 1 de Janeiro reflecte todo o ano que se segue. Tento por isso nunca me enfrascar na passagem de ano, não querendo passar um ano inteiro enjoada a torradas e chá preto. Mas este início de ano conseguiu superar todas as expectativas.
Depois de uma viagem infernal de regresso, trânsito e chuva, sentei-me no conforto do lar com a gata Misha ao colo. Enquanto a admirava (o bicho ronronava!) pensava para com os meus botões: “és tão bonita, e tão querida, que saudades tinha, adoro-te”. Nisto ZÁS. A gata arranha-me o olho. O olho!! Mesmo! Por dentro! Sangrou. Eu chorei. Fui ao espelho e quase desmaiei.
Desta forma, passei a noite de 1 de Janeiro no Hospital.
É mau.