quinta-feira, março 27, 2008

João,

Meu querido sobrinho. Caso me aconteça alguma coisa até aos teus 15 anos, fica aqui a minha confissão. Aquele cachecol que ontem te ofereci, antes de começar o jogo de Portugal-Grécia, assinado pelo Quaresma, o teu ídolo. Aquele cachecol que acariciaste e que provavelmente hoje levaste para a escola e até, quiçá, andaste à bulha por ele… Bom, digamos que o Quaresma não costuma almoçar em Miraflores e que a tia, na verdade, não é sua amiga. Aliás, julgo que nunca me cruzei com essa pessoa. E se o encontrar na rua, não o irei distinguir no meio da multidão, mesmo que o conjunto óculos escuros/penteado dêem indicações quanto à sua profissão…
Perdoa-me meu querido. Mas a competição pelo título de “Tia Mais Cool do Mundo” está a ser dura, todas as armas são válidas…

PS: mas era uma boa imitação, não era?

Christie, My Car

Desde que mudei de trabalho, emprego ou “serviço”, como preferirem, que o azar me persegue. A mim ou ao meu carro, ainda não percebi. Diria que o meu antigo chefe, quando eu fechei a porta do seu gabinete depois de lhe dizer coisas bonitas como “para mim o prémio é secundário, tenho é de realizar os meus sonhos profissionais” me respondeu com um sorriso cínico como quem diz “deixa lá que eu vou ao Prof. Caramba fazer uma macumbazita que vai lixar lenta e dolorosamente o teu carro, minha cabra”.
E assim, uma série de acontecimentos se sucederam que culminaram ontem com ser socorrida por um senhor de meia-idade de chapéu do clube recreativo de Alvalade (o meu novo anjo da guarda) de rabo espetado a mudar-me um pneu. Estava a ver que depois daquela cena ainda iria passar a noite em Sta Maria com o senhor de cama com uma vértebra fora do sítio e duas hérnias a explodir.
Ora assim em 7 meses tivemos:
O abalroamento do meu director geral numa rotunda;
Um pião numa rotunda (atrás do meu novo chefe, very impressive!)
Um choque por trás de uma senhora a caminho do trabalho;
Um choque de frente (minha frente na traseira de outro) à entrada da segunda circular;
Um pneu furado à noite numa rua escura de Lisboa.

Nesta Santa Páscoa roguei aos santos pelo meu carro.

quinta-feira, março 20, 2008

Paulo

Há umas semanas, a minha senhoria anunciou-me que o filho dela, “que é mais ou menos da sua idade, Rita”, se iria mudar para o 3º andar do meu prédio. Desde então olho com desconfiança para os transeuntes da minha rua, “será ele, não será?”, “não feioso, afasta-te da minha porta, ahh…”.

Ontem soube que ele se chama Paulo. Paulo não é um nome que eu goste. Mas a minha irmã lembrou-me de um Paulo que é bem interessante.




Mas com a minha sorte, vai-me calhar outro tipo de Paulo.