segunda-feira, julho 20, 2009

Meo

É suposto a box da Meo fazer um ruído semelhante ao de um hamster a correr numa roda ferrugenta?

Sabem do que falo? Quem, como eu, teve a felicidade de ter 500 hamsters na sua infância, conhece bem este ruído. Comecei por ter um macho e depois alguém me ofereceu uma fêmea. Eu era mínima, e achava piada deixá-los brincar de vez em quando dentro de uma caixa. Nesta altura, ainda ninguém me tinha explicado a origem dos bebés de uma forma convincente (aliás, pensando bem, julgo que a minha mãe ensaiou uma conversa desse estilo no ano passado), por isso aquela “brincadeira” resultou numa mão cheia de porquinhos feiosos que rapidamente se transformaram em novos ratinhos sem rabo. Também sempre me intrigou esta cena dos tipos terem o rabo capado logo à nascença, mas isso seria tema para uma outra discussão.

A minha mãe adorou este milagre da multiplicação: ter a cozinha a cheirar a mijo de rato deve ser o sonho de qualquer dona de casa (ainda está para criar um “Pronto com cheirinho a mijo de hamster”). Desta feita, muito contrariada, lá levei uma gaiola cheia de ratinhos à loja de animais do CC Alvalade onde tentamos impingi-los à senhora da loja, que nos foi logo mostrar uma vitrina cheia de mickeys empilhados até ao tecto, de todas as cores, raças e feitios. Nisto entra um casal com uma miúda da minha idade, que se agarra com os dedos gordos cheios de manteiga à minha gaiola:

“Ohhh mããããeee! Quero um ratinho!”
“Não é um rato, é um hamster” – emendei eu prontamente
“Oh Rita, não sejas assim, mostra lá os ratinhos, perdão, hamsters. São tão fofinhos não são? Como te chamas? Margarida, pega lá num… Ah, queres levar um ratinho contigo? Porque não levas dois??”

Nessa altura eu era consideravelmente mais corajosa do que sou actualmente: pegava nos bichos, dava-lhes a volta e distinguia na perfeição um macho da fêmea. Lá arranjamos um casal, colocamos numa caixa de sapatos da sapataria fashion do lado, e fizemos mais uma família feliz por ter a cozinha a cheirar a xixi de Basil.

Toda a gente parecia contente nesta história, excepto a senhora da loja, que nos pediu a gentileza de nos retirarmos do seu estabelecimento. Desde então sempre se recusou a vender-me as sementes para os ratos.



PS: sabiam que o John F. Kennedy tinha um hamster? A Debbie.

5 comentários:

Mafalda Azevedo disse...

"a cheirar a xixi de Basil"?

Fawlty Towers! =)

Viva o Manuel!

Anónimo disse...

Sorte que a mãe nunca foi o propriamente "uma dona de casa"

Silver disse...

A vossa mãe lê o blog?

MKB disse...

de tempos a tempos, mas acho que já deve ter perdido o caminho...

rvzkm disse...

Desvias ter adoptado uma Misha nessa altura para controlar a população...

Cá em casa chegámos a ter duas gaiolas duplex cheias de bixos pendurados nas grades; maldita a hora em que decidiram testar comprimidos azuis em animais domésticos!

p.s. - a Misha vai receber uma dose extra de carinho no próximo jantar...