Mas qual a origem desta convenção social que determina que esticar o dedo indicador enquanto se retraem os restantes para indicar um objecto ou pessoa é extremamente deselegante? Sem dúvida que esta é daquelas regras que vai contra o bom-senso geral, pois não existe de facto forma mais prática para “apontar” para uma pessoa. Claro que se o podes fazer simples porque não fazer complicado. Assim somos obrigados a balbuciar uma descrição demasiado longa e bicuda “o Manel é aquele senhor de gravata de extremo mau gosto com patinhos, nariz torto e com cara de quem não toma banho há 10 dias…”.
Decidi investigar a raiz do desuso do apontar o dedo. Ao que parece, este costume caiu no século XVIII, quando a corte francesa, profundamente enojada com as mãos peludas de Maximilien de Robespierre, proíbe a utilização do dedo indicador.

As senhoras estavam fartas de ser indicadas nas festas por este senhor de olhar lascivo, que para além de possuir umas mãos nojentas tinha também este penteado patético, o qual foi naturalmente excluído da moda na altura, sendo aliás a raiz do termo “demodé”.
O resto é história: Robespierre, despeitado, liderou uma revolução que marcou profundamente a Europa, contra todos os que o afastaram do deboche francês, chegando mesmo a repor o indicador durante o período revolucionário e marcando a moda dos penteados da época. No entanto, nem os próprios radicais toleravam os dedos do senhor, acabando por lhe meter a cabeça também na guilhotina e por atirá-la ao Sena, de tão pirosa que era.
A História tem coisas curiosas, e estes acontecimentos tiveram impactos diferentes na nossa sociedade actual:
1) O indicador foi definitivamente banido. Actualmente os portugueses continuam a cuspir para o chão, mas apontar, jamais! Mas atenção: como apontar é mesmo prático, o indicador foi substituído pelo chiquérrimo dedo do meio. Resultado, em reuniões de negócios, é preferível utilizar o dedo do meio ao indicador. Ou seja, fazer caralhadas, tudo bem, agora apontar é falta de educação. “Óh senhor engenheiro, olhe que não… o caudal é este

e não aquele…

2) O penteado Robespierre continua a ser assumidamente piroso e demodé. Apenas betos demodés insistem em manter esta tradição…


6 comentários:
Tive de me conter para não mandar uma gargalhada aqui no trabalho!
Já agora (pet peeve of mine..): Há 10 anos leva H!
Cromaleca, já não existe. Estou neste momento a apontar para ti com o dedo do meio para não ser mal-educada :)
O comentário acima foi eliminado devido à minha conhecida credulidade em relação ao Mundo...
Se há coisa que me fazia confusão nas aulas era o "dedo da asneira" ou até mesmo "corninhos" apontados para o quadro preto! :P
Acho que vou virar o monitor do computador para algumas das senhoras que aparecem por aqui!
Hehe. Agora sim, o teu primo vai gostar do blog da Misha!
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