segunda-feira, maio 18, 2009

Filhos de uma família partida

Eu sou filha de uma família partida (tradução literal do broken family, mas que se encaixa perfeitamente à situação). A minha família partiu-se quando tinha a idade do meu sobrinho João, vai fazer 20 anos. Isto quer dizer que praticamente toda a minha existência se dividiu por duas famílias distintas, uma centrada numa figura maternal, forte e corajosa e a família do meu pai.

É engraçado ver as estatísticas, em que se falam de percentagens elevadíssimas de divórcio em Portugal, principalmente em Lisboa. Não sei em que Lisboa vivo eu, praticamente todos os meus amigos não têm os pais divorciados, e felizmente nem imaginam o que isso seja. Não que eu guarde grandes traumas em relação a isso (apenas a ideia de não pretender casar-me - nunca?), nem penso diária ou sequer semanalmente nisso, mas há sem dúvida coisas que só consigo discutir entre semelhantes, comportamentos que só filhos de pais divorciados podem compreender. E uma enorme incompreensão por filhos de pais juntos.

Há uns fins-de-semana atrás, fui identificada como uma filha de pais divorciados por um outro filho de pais divorciados que mal conheço. Sem explicação, a minha ligação a esta pessoa subiu imediatamente 3 graus de confiança, porque independentemente de tudo o resto há uma experiência que partilhamos que nos aproxima, e o facto de sentir aquela solidariedade genuína tocou-me. É como se uma mutação ocorresse no dia em que um dos nossos progenitores faz a mala e fecha a porta. Com ela segue-se um período conturbado de alterações e convulsões comportamentais, até à obtenção do reequilíbrio e encontro de uma certa paz interior.

PS: este blog é pessoal e isto é um post pessoal.

2 comentários:

Inex disse...

Estava à espera que contasses em que situações isso se manifesta. De outro modo como é que vamos compreender determinadas atitudes?

Já agora, consideras-te traumatizada?

MKB disse...

Nope, nada ou pouco.

Somos mais independentes e temos uma maior capacidade para reagirmos à mudança. Esta vida, minha amiga, é uma selva. Por outro lado precisamos de mais carinho e miminhos :)

Não vou entrar em psicologia barata, mas de facto há coisas que só a experiência justifica.