quinta-feira, janeiro 31, 2008
1000
Ando nisto vai fazer três anos. Estou no terceiro emprego, e olhem que no que respeita a relações humanas, andam todos ela por ela. E dói estar sempre à prova. E revolta-me saber que toda a minha geração anda no mesmo, e que os empregadores esticam ao limite a corda, utilizam todos os artifícios que a lei permite para conseguir apresentar resultados finais positivos. Chama-se a isto mão-de-obra barata. Parece que afinal esse modelo sempre se aplica cá.
E apanhar os velhos nas paragens do autocarro ou no balcão da CGD com o discurso da “esta juventude está cada vez pior”. Ainda há poucos anos nos apelidavam de juventude rasca. Infelizmente, é “à pala” desta juventude rasca que este país de bosta se ergue. E é com a maior hipocrisia que anunciam que Portugal exporta mais tecnologia do que calçado actualmente. O avanço que fizemos foi deixar de explorar mão-de-obra infantil a trabalhar o couro para sapatos. Agora sim, é legal explorar mão-de-obra qualificada, maior de idade, em frente do monitor. Muito melhor, a UE não nos chateia, temos a cara limpa.
Somos obrigados a adiar a vida, não tomamos decisões que devíamos porque não temos condições para o fazer. Sim, porque não temos como o fazer. Nem todos têm sorte. E os velhos do Restelo que chamam de egoístas “com a tua idade já tinha 3 filhos”. Olha que merda, trabalho 11h por dia, o meu salário chega para alimentar a minha gata, que raio de educação daria eu, mãe ausente, nem dinheiro para fraldas tenho… Esquecem-se que no tempo deles as coisas eram diferentes, e eram sim senhor. Nem para ir à neve tenho dinheiro, quanto mais pagar escola a uma criança.
Mas ok, eu sou mulher, por isso à 20 anos atrás nem devia sequer imaginar ter uma carreira profissional. Devia mas é ficar em casa, cozinhar para o marido, coser meias, colocar o meu sorriso “anúncio de detergente” e receber o meu esposo, de pescoço sujo de baton, com mesa posta e sobremesa preparada…
Mais os meninos das Jotas, com os seus cartazes “Portugal precisa de bebés”. Fá-los tu.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Tigres à solta

O Tigre deve estar em pânico.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Estás a perceber?
Há um tipo de pessoas que não consegue formular uma frase sem o “estás a perceber?” no fim. E se há tique irritante, acho que é esse. Ok, estou a exagerar. Se calhar existem tiques ainda mais irritantes, mas este chateia um bocado.
O problema não é propriamente a pessoa estar preocupada com a minha compreensão do tema em questão. O problema é utilizar sempre esta expressão para coisas triviais, tão claras como a água.
“Oh Rita, uma formiga é mais pequena do que um elefante, estás a perceber?”
“A sério Zé Miguel, não me diga?”
Já qualquer coisa como “Oh Rita, o problema de Fermat: xn + yn = zn não tem soluções para n>2 e inteiros não triviais x, y e z, estás a perceber?”, ou “Oh Rita, o Rodrigo Tiuí é muito melhor jogador do que o Bergessio, estás a perceber?”, aí sim, teria algumas dúvidas…
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Diogo
Vou ter um novo sobrinho. E ao contrário das expectativas, não se vai chamar Maria. De Maria passou a Coiso e de Coiso a Diogo, bem melhor.
Diogo.
Diogo.
Diogo era o “meu” nome. Era esse o nome idealizado para o meu primeiro filho. Diogo Primeiro. Mas o meu irmão num acto infame roubou-me esse prazer, a única certeza que tinha nesta vida: se eu tivesse um filho ele seria Diogo….
Mas bom, o que lá vai, lá vai. Já interiorizei esse nome. Agora olho para a barriga da minha cunhada e começo a materializar uma pessoa nova que não tarda está cá fora, neste Mundo para o bom e para o pior, mas que vai ter uma vida, uma identidade e uma história. E eu vou ter um papel nessa história desde o dia 1.
Começo a ficar impaciente. Quero conhecer o Diogo e quero conhecê-lo já! É assim. Quero contar os seus dedinhos, assegurar-me que estão em número de 5 em cada mão e cada pé. Quero ver se tem umas bochechas rechonchudas como a tia. Ouvir o seu choro, muitos berros (assemelham-se aos meus?) e muitos risos.
Mas o mais estranho é esta sensação. A certeza absoluta de que, sem sequer lhe conhecer o nariz, essa marca inconfundível do genoma da família, já transbordo de amor e carinho por esta criatura que não conheço de parte alguma.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Ainda sobre o arranhão…
Isto justifica a reacção do meu chefe dia 2. Cheguei pela manhã, com o olho inchado e arranhado. Ele perguntou-me “ehhh… alguma conjuntivite?”. Eu ainda tinha o cérebro desligado, pelo que lhe respondi com um “Nã… tive um acidente doméstico”.
Os olhinhos sorridentes passaram para uma expressão de “não sei, não ouvi, eu nem quero saber, não me incluas nos teus problemas pessoais”. Foi engraçado. Contei-lhe então que passei a noite de 1 de Janeiro em Santa Maria porque a minha querida Misha decidiu vingar-se dos dias de abandono com uma arranhadela mesmo em cheio no olho direito.
É bom poder contar com o nosso chefe para os momentos de crise.
1 de Janeiro
Dizem que a forma como passas o dia 1 de Janeiro reflecte todo o ano que se segue. Tento por isso nunca me enfrascar na passagem de ano, não querendo passar um ano inteiro enjoada a torradas e chá preto. Mas este início de ano conseguiu superar todas as expectativas.
Depois de uma viagem infernal de regresso, trânsito e chuva, sentei-me no conforto do lar com a gata Misha ao colo. Enquanto a admirava (o bicho ronronava!) pensava para com os meus botões: “és tão bonita, e tão querida, que saudades tinha, adoro-te”. Nisto ZÁS. A gata arranha-me o olho. O olho!! Mesmo! Por dentro! Sangrou. Eu chorei. Fui ao espelho e quase desmaiei.
Desta forma, passei a noite de 1 de Janeiro no Hospital.
É mau.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
sexta-feira, dezembro 28, 2007
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Resolução para 2008…
terça-feira, dezembro 18, 2007
É Natal, chálálá
“Senhora, senhora… Compra-me um calendário?”.
“Puto, baza senão corto-te um dedo”.
ou então pegar no calendário e “ups, deixei cair em cima de monte merda e depois ainda lhe passei o pé por cima. Desculpa lá, lobito”.
Porém, nunca o fiz. Mas na semana passada apeteceu-me mais do que nunca rasgar um calendário da paróquia de não sei onde. Mas em vez disso, engoli em seco e saquei uma moeda de um euro da minha carteira “pinup” para entregar a uma senhora já adulta.
Não é que no jantar de Natal da minha empresa uma coleguinha minha, que nem o meu nome sabia, e a quem nunca tinha posto os olhos em cima, me impingiu literalmente um calendário de bolso com desenhos da sua criança fanhosa de 5 anos? Ca granda lata!!
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Odeio os meus vizinhos…
Pensava que iria ter a pior semana da minha vida. Domingo, depois de um fim-de-semana em Londres, consegui perder o avião de regresso. “A culpa foi do aeroporto que é longe e o autocarro anda devagar ”, foi a desculpa que dei ao meu chefe quando ele segunda de manhã me viu exactamente com a mesma saia castanha e casaco cor-de-rosa que usava quando me deixou à porta do aeroporto sexta-feira e me perguntou “então?... Perdeste algum avião?”…Assim tive a oportunidade de conhecer o íbis de Luton, bela terra, onde os cães cagam em todos os quarteirões e as bifas roliças pintam as raízes do cabelo de preto.
Depois de um dia de cão na segunda-feira chego a casa, ligo a tv em busca da telenovela Belíssima, o meu programa favorito desde que mudei de casa. Durante semanas aguentei sensivelmente 10 min seguidos em frente daqueles argumentos geniais e enredos complexos onde existem duas categorias de pessoas: as muito estúpidas mas muito boazinha e as muito más mas muito espertalhonas.
Nisto descubro que tenho EuroNews. E BBC world! Adeus estupidez!
Viva o Ricardo!
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Boquinhas foleiras até quando?
Hoje o meu director financeiro chamou-me qualquer coisa semelhante, referindo-se ainda ao outro incidente. Aproximamo-nos do Natal e ainda cá trabalho, mas cheira-me que posso esquecer o subsídio...
sexta-feira, novembro 23, 2007
Essa já eu sabia...
Eu já desconfiava... são as chamadas Mulheres Escorpião! Sempre me senti maior do que a maioria dos homens que conheço.
terça-feira, novembro 20, 2007
sexta-feira, novembro 16, 2007
Só não posso ter…
Mas a partir desta semana há uma coisa que nunca poderei fazer: ficar inanimada. Nem um indício de desmaio ou de falta de ar. Acho que o melhor é nem estar constipada…
Com o curso de primeiros socorros que organizaram por cá, arrisco-me a ser socorrida por um desdentado ou desgrenhado. E pior! O Socorrista mais próximo é o Vasco Granja da Pornografia, Dio Santo!
segunda-feira, novembro 12, 2007
Deus, Tem dó, e mata-me já!
Finalmente desembaraço-me dos outros carros, das mil passadeiras de piões que atravessam a rua dos Bombeiros. Só me falta uma rotunda, onde nunca ninguém passa. Entro sem olhar e um bruto carro tem de fazer uma travagem brusca. Será? Não, não pode ser ele…
Estaciono (mal) perto da porta quando o mesmo carro que abalroei na rotunda pára ao meu lado. O senhor baixa o vidro e eu começo a ficar escarlate, o meu coração bate a mil à hora, começo a puxar os cantos dos lábios para cima…
“Bom dia Rita. Tem de ter mais cuidado ao entrar nas rotundas”
“Senhor engenheiro, tem toda a razão…”
Ia só abalroando o meu administrador. Nada de especial.
Será que chego ao Natal?
terça-feira, novembro 06, 2007
Going solo
Sim, Inex, eu sei, eu tenho prometido, semana atrás de semana, que a Misha voltará a escrever. Ideias não me faltam, mas passar para o papel (virtual) custa mais do que parece.
E meteu-se a história de mudar de casa. Empacotar, desempacotar, IKEA, IKEA, IKEA até vomitar pelos olhos, onde raio pára o Black and Decker! Já tenho umas plantinhas, sim, porque a minha casa tem jardim! Umas roseiras da Régua, no fundo única lembrança que restou de um dos locais da minha infância jamais revisitado… uma oliveira, uma sardinheira (ou a outra, cujo nome nunca me lembro), um pimenteiro, um arbusto e uma plantinha já morta, ainda que eu insista em rega-la, que foi a única peça que a senhora garantiu “ai essa dura muuuuuuito”. Pois jaz morta no meu quintal!
Tenho vizinhos novos, e que saudades dos antigos, que não discutiam a mesada na escada, nem se intrometiam na minha vidinha. Se alguém conhecer a porteira abelhuda do número 44 da minha rua, podem assegurar-lhe, que eu só alimento a minha gata e mais nenhum!
E agora vivo sozinha. Não é mau, mas sinto falta claro de galinhar com a Rita meia hora antes de me deitar, de beber um limoncelo na nossa varanda e ouvir os vizinhos do prédio ao lado a discutir
“eu é que lavo a loiça, eu é cozinho, eu é que arrumo tudo, e tu, Armando?? O que fazes?? Nada, nada, és um inútil!!”.
“Óh, mor… Não é verdade Zé Carlos…”
Enfim.



