quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Será que aguentas?

Pelo senso comum das más-línguas masculinas (e femininas, porque existem mulheres determinadas em dizer mal do seu género), um ambiente feminino é profundamente maléfico. O Mundo continua com a forte convicção cristã de que a mulher é a origem do pecado, dos problemas mundiais e, a menor escala, do mau ambiente laboral.

Pois bem, apesar de por muitos anos ter sido injustamente acusada de feminismo, hoje posso afirmar que um ambiente maioritariamente masculino é tão mau ou PIOR que um ambiente dominado pelo novo “sexo forte”. Eu conheço os dois mundos, e posso testemunha-lo!

Quer no trabalho quer na dança, tenho um ambiente bem disposto, informal, cheio de piadas e até com algumas trocas de “insultos carinhosos”, ainda que com vocabulários diferentes, felizmente… O que os distingue é, por um lado, a inteligência das conversas e, por outro o seu teor.

Mas como é possível??? Numa base diária, duas horas a falar de carros, três de bola e mais outras três sobre as “gajas” que recebem por mail? Fora as que eu não consigo enquadrar, tão ricas de metáforas e alegorias que são, não sei se o tema é o powerpoint das mulheres descascadas ao som da Shakira ou o novo modelo da Audi…

quinta-feira, fevereiro 15, 2007


Decidi na semana passada experimentar uma aulinha diferente do meu ginásio, Barra de Chão. Ora, esta aula é nem mais nem menos que uma aula de ballet para adultos e "séniores" (gosto muito deste termo, ai de quem me chamar sénior quando lá chegar) dada por uma verdadeira professora de ballet. Já não me lembrava como elas conseguem ser umas verdadeiras bitches, ou no português corrente, cabras. "Estica as pernas, aperta a barriga, rabo para dentro...". E quando está tudo com os bofes de fora ela lança um sorriso e diz "mais uma vez".


Resumindo... adoro e vou todas as semanas.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Encontros na copa

Trabalho novo, caras novas, ambiente juvenil, mangas de camisa, Verão e calor à mistura são os ingredientes essenciais para qualquer americanice que se preze, com uma voz narradora a relatar os encontros da jovem heroína com o galã do ecrã, o morenaço alto e espadaúdo de falinhas mansas…

Assim foi o meu Verão. Durante semanas suspirei pelas 5h30, hora do chá, encontro marcado com o Aberto (chamemos-lhe Alberto, protecção contra eventuais colegas), patati para aqui, patatá para acolá, sorrisinhos, conversa fiada… Até que tive a desilusão da vida e descobri que dentro da bela cabeça tínhamos apenas ar. Melhor, vazio mesmo… abandonei então os encontros das 5h e assumi a atitude mais responsável de comer o meu iogurte no lugar.

Passados tantos meses fui dar de caras com o Alberto na copa. Algo mudado, mas muito giro, decidi trocar dois dedos de conversa, já que ele insistia…

Al: "Olá, estás a gostar? Blá blá blá. Bom, até que estás com um ar cansado"
MKB: "pois, a minha gata não me deixou dormir esta noite..." (STOP! Não querendo mencionar que andava cansada por causa do trabalho, decidi falar da minha gata... ora o motivo pelo qual ela não se calou foi por estar com o cio. Existe tema mais desconfortável e imbecil para se ter com colegas??? Principalmente com os altos, morenos e espadaúdos??)
Al: "aoh... mas isso acontece todos os meses ou de vez em quando?"
MKB (a tentar salvar a cara): "errhh, pois, hum (corada) nunca tinha acontecido, mas parece uma amiga disse-me que os gatos da vizinhança dela passaram a noite toda nisso, que maçada" (tipo, “ai sou tão burra e não percebo porque é que a minha gatA anda a roçar-se a tudo e a todos e mia o dia todo e já não ataca ninguém).
Al: "oh, não, não pode ser... será… ouvi dizer…por causa do sismo??"
MKB: "CLARO!! SÓ PODE SER ISSO!! ÉS UM GÉNIO!!"

3, 2,1...


Feliz ano do Porco! (ok, é só dia 18...)

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Xiça…

Ás vezes tenho a sensação de que sou uma verdadeira fraude. Uma fraude aos olhos dos outros e aos meus próprios olhos Eu vejo-me como estando sossegadinha no meu canto com o meu ar sereno aparente que consigo manter em quase todas as situações, olhar compenetrado a dedilhar o teclado com profissional eficiência, cabelo composto, roupa decente e os saltos altos muito adultos (raios partam as séries americanas que nos ocupam o fim-de-semana!). Claro que depois tenho desilusões constantes, quando vou à casa-de-banho e verifico que afinal tenho migalhas no colo, pêra na bochecha, pasta-de-dentes ressequida na camisa… Enfim, um conjunto de características que me definem e que não abdico por trabalho algum!

Depois alguém se lembra de falar comigo de assuntos de trabalho que eu não domino. Imediatamente penso “concentra-te Rita, concentra-te. Pensa no que ele está a dizer, aprende, aprende… sim, a obrigação, paga o cupão… hum… mas que estranho sinal ele tem na cara. Olha, parece que faz uma lua! Os óculos é que são feios todos os dias, credo… xiça, onde é que ele ía????” Depois disto só me resta fazer o meu olhar bovino. Não soa bem, mas funciona na perfeição, convenço a quem for de que percebi tudo o que disseram…

Por exemplo, estou neste momento a lançar um olhar profundo para o computador, com uma mão carrego no “publish”, com a outra aceno ao big boss “sim chefe, hoje não trabalho até tarde, então bom fim-de-semana!”.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Foi esta varanda que inspirou o blog...



Aliás, sem ela, a Misha Karenina Babuska continuava na rua (ou não), muitos jantares nunca teriam acontecido e risos, arranhadelas e folias não passariam do nosso imaginário.

Mas o trio vai-se desfazer brevemente... A nossa petiz vai emancipar-se para viver outras aventuras por terras de nuestros hermanos (malvado o escuteiro mirim que a leva...). Mas a casa de Arroios continua, com outra personagem para baralhar mais convivência (duas Ritas no mesmo espaço vai dar bronca).

Fica aqui, roubado da Sara, a balada que melhor se adequa à nossa varanda de Arroios:


Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
mas era feita com pororó,
era a casa de Vilaró

PS: a minha roupa estendida dá um certo toque de classe...

Coelhos na cartola

Ontem o meu sobrinho decidiu que quando crescer quer ser mágico! E com as suas falinhas mansas, convenceu a tia a ser a sua cobaia nestes primeiros tempo. Eu esperava que no máximo ele me pedisse para andar de maillout de folhos com collants aos losangos a segurar nas pombas brancas que ele sacava da cartola. Mas não. Ele decidiu começar pelos truques hardcore, como fazer pessoas desaparecer, atar pés e mãos com correntes e atira-las à piscina… e o perigoso truque de serrar-a-pessoa-ao-meio.

E foi precisamente com este último que começamos. Deitei-me no sofá da minha mãe e zzzás. Com uma serra a criança abriu-me o escalpe, fazendo uma frecha mesmo no meio da testa. Claro que aquilo correu mal e fiquei com uma racha a deixar vagamente um pouco de cérebro à mostra, para arejar bem as ideias…

Pedi a familiares, amigos, amigos de amigos e até a coleguinhas de trabalho vestidos de flanela para me levarem ao hospital, e nada… “Senta-te, vamos depois do jantar!”. “Vamos só ali à Cena de Copos beber uma morangoska e seguimos para lá”. “Agora estou cheio de sono, vamos amanhã de manhã…”.

Este sonho quer dizer qualquer coisa…

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Fim-de-semana é…

Perspectiva das Ritas: Um bom Porto, boa companhia, lareira composta, bolinho de iogurte, comidinha do melhor, Risco, Qatan, Quiz… ah, e não dispenso o meu edredon!

Perspectiva do Nuno: ver a bola e acabar emborrachado sozinho em frente do Quiz.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Amigo!

Vou de fim-de-semana, estou cansada e sem imaginação... Por isso, amigos, este não é meu.

Amigo
Mal nos conhecemos Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso De boca em boca, Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo! «Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado, É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa, Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Holanda lança cerveja sabor carne para cães

Uma pequena cervejaria do norte da Holanda apostou em um produto diferenciado para alavancar as vendas. "Uma cerveja para o seu melhor amigo", é o slogan da campanha que lança no país a primeira cerveja para cachorros, com sabor de carne.
De acordo com a agência de notícias Ansa, a idéia foi de uma senhora, dona de uma pet shop. "Por que o mais fiel amigo do homem não pode beber uma cerveja com seu dono no fim de um dia cansativo?", questionou a empresária.
Ela procurou profissionais do meio, que fizeram uma cerveja a base de malte e extrato de carne. O resultado foi uma bebida não alcoólica, agradável para os cães e que pode ser bebida também pelo homem. A bebida ganhou o nome de Kwispelbier, ou "a cerveja que abana".


Li esta notícia ontem no Público (mas só a consegui sacar num jornal brasileiro) e lembrei-me porque é que gostava tanto dos holandeses e da Holanda, fiéis à sua grade de cerveja todas as 6f: bina sem mãos, cerveja num lado, sandwich do outro.

E para gatos? Não se arranja cerveja com sabor a whiskas?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Carol

"Declarações de Carolina Salgado Confirmam que Benfica terá sido prejudicado pelas arbitragens" (Público)

Eu sabia que andavamos a perder campeonatos por alguma razão...

PS: Consegui um post sobre "bola". Finalmente colho os frutos do estágio no meu emprego!

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Noivo abandona noiva no altar?


Não sei porquê, mas acho que esta fotografia como chamariz para a Exponoivos foi uma escolha de muito mau gosto. Só falta a maquilhagem borrada nos olhos e a garrafa de whisky ao colo...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Maravilhas da ciência

Descobriram o gene da nojentice. Como seria de esperar, está localizado no cromossoma Y e nem precisa de luz para ser accionado. Às 7h da manhã, escuro como breu e no frio da manhã de Lisboa, este gene manifesta-se através de expressões como "eh carapau", "boa", "fazia-te isto aquilo e aqueloutro"...

A resposta a 1+1 não é automática, mas lançar um piropo ridículo destes é instinto.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Parabéns...



à loira bombástica deste blog

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Cineminha ao domingo é mel...


Este fim-de-semana vi o The Prestige. Só estrelas: Christian Bale, Scarlett Johansson, Michael Caine, Hugh Jackman e… David Bowie, que faz hoje 60 anos (mas continua um mau actor… ninguém é perfeito) e confesso que fiquei bem impressionada. Bom, não direi que colou a minha atenção da forma que o The Departed fez, mas está bem ao nível. E vá lá, desta vez não fiquei frustrada com o final…

domingo, janeiro 07, 2007

Bruxas dos tempos modernos

Desde pequenina que gosto de filmes antigos. Depois de me apanhar no Pestalozzi (saudades! Nunca mais me senti plenamente integrada em nenhuma outra escola), o meu pai punha uma das cassetes beta de eleição, que variava entre os clássicos The Brain, A Grande Paródia, Hatari, O Pai Tirano ou um qualquer filme dos Monty Python. E assim passávamos umas boas horas a rir do grau de nonsense generalizado até ser arrancada de frente da TV, obrigada a acabar o almoço frio do prato e marchar de volta para as brincadeiras com plasticina, corridas de pneus e lutas pelo baloiço.

Aos 7 anos estava longe de imaginar como é fácil transpor os argumentos obtusos e sem nexo da ficção para a realidade. E as tristes repercussões que daí advém…

Para mim, uma das sequências mais engraçadas de nonsense é a da Bruxa do filme Holy Grail. Este fim-de-semana decidi rever alguns capítulos e encontrei um paralelismo no grau de absurdo entre os argumentos utilizados por sir Bedever para demonstrar que a Connie Booth era uma bruxa e os argumentos utilizados por algumas figuras públicas na campanha pelo referendo de 11 de Fevereiro.

"Sir Bedevere: Tell me... what do we do with witches?
Populares: Burn! Burn herrr!!
SB: And what do you burn apart from witches?
P: .........................wood?
SB: So, why do witches burn?
P: They are made of wood?"


Movimento mais vida mais família: "queremos saber o número de mulheres humilhadas, damos todo o tempo...". Lógico, isso sim é essencial. Caga lá na promoção da educação sexual, exigimos é saber quantas mulheres foram humilhadas e não quais as medidas que se pretendem tomar para combater a prática de abortos clandestinos.

"SB: So, how do we tell whether she is made of wood?
P: We build a bridge out of her!
SB: Ah, but can you not also make bridges out of stone?
P:...
SB: Does wood sink in water?
P: No, no, it floats, throw her in the pot!"

António Borges: "Cada vez que o Estado financiar 2.3 abortos está a não pagar, a adiar ou a excluir uma operação". Uiii, tem um número!!! Então é lógico de certeza!! O D.Sebastião do PSD gosta muito de opinar... Mas lá de Londres, já que infelizmente é egoísta o suficiente para não querer regressar a Portugal e realmente dar a cara pela Nação. Para além de que deve achar que chega mandar um número para todos se derreterem. De finanças ele deve entender, já de questões de saúde pública (sim, porque é uma questão de saúde das mulheres que praticam aborto clandestino e que muitas vez não têm o melhor fim), é melhor é estar caladinho.

"SB: Noooo.... What does also float in water?
P: Bread, apples, small stones... a duck
SB: So, logically, if she weights the same as a duck she is made out of wood. And therefore...
P: She is a witch! Burn herr!! "

Ricardo Alves: "que o aborto aumente a sua prática e se torne um método contraceptivo". Mais uma vez, muito lógico. Até porque me parece ser uma experiência agradável.



Já não é tempo de acabar com a caça às Bruxas?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Como prenda de Ano Novo, a Misha (felina) fez-se "mulher"! Agora ninguém dorme lá em casa.

Andei a apregoar à esterilização. Consultei donos de gatos (“dá-lhe a pílula!”), veterinários (“esteriliza!”) e de amigos (“mas o problema é?...”). Sem dúvida que o melhor conselho veio do meu pai. Disse-me que era uma atrocidade interferir com a natureza neste assunto e que o melhor seria confiar no bom discernimento do animal (só métodos naturais). Mas, óbvio, ela teria de arrecadar com as consequências caso algo corresse mal. Assim, aparecendo prenha em casa eu estaria em pleno direito de correr com ela a pontapé, atirar-lhe a trouxa e gritar “vai-te embora, pêga!”.

Este discurso do meu pai deu-me o que pensar… e se fosse uma filha?


Demorei a reagir ao abandono pelo Ano Velho, mariquinhas, fugiu a correr da minha vida amedrontado por essa nova ameaça. Mas a lambada que ontem recebi do trabalho despertou-me para esse tal de Ano Novo. Por enquanto não me convence, mas vou dar-lhe mais uns 362 dias de hipótese.

Ainda há pouco mais de 6 anos estava a brindar uma saúde em honra do novo Milénio. Agora sinto uma década a aproximar-se a uma velocidade estonteante e não estou a gostar. Não contava que o tempo fugisse tão facilmente por entre os dedos.

Puto, arranja-me um desses para espantar os maus espíritos também.